Março 8, 2010

Arrábida Finalista das Maravilhas de Portugal

Foram hoje revelados os 21 finalistas do Concurso Sete Maravilhas Naturais de Portugal, e o Parque Natural da Arrábida aparece representado duas vezes, na categoria “Grandes Relevos”, com o parque na sua totalidade, e “Praias e Falésias”, com a praia do Portinho da Arrábida.

De recordar que está a ser preparada a candidatura do Parque Natural da Arrábida a Património Mundial da Humanidade.

A Arrábida apresenta, sem dúvida, paisagens deslumbrantes, mas tenho de admitir algum cepticismo quanto à elevação a património da Humanidade de um parque natural que têm no seu coração uma cimenteira, que continua ainda hoje a esventrar uma das jóias naturais do nosso país.

Mesmo vivendo há 25 anos em Setúbal, contam-se pelos dedos das mãos as vezes que visitei o Parque Natural da Arrábida. Aliás já há vários anos que não passeava pela serra, por isso, o mês passado, decidi agarrar no carro e tirar umas fotos.

A luz não estava a mais favorável nesse dia, por isso acabei por não aproveitar muitas fotos, a que ilustra este post é provavelmente a minha preferida.

Março 7, 2010

Exposição

Exposição: 6 segundos a f/8, ISO 100

A exposição é o conceito fundamental da fotografia. Afinal, de um ponto de vista puramente técnico, esta não é mais que a captura de luz pela máquina fotográfica.

No entanto é um conceito que não será muito intuitivo, especialmente para quem utiliza máquinas digitais compactas (não dSLRs).

A exposição é o conjunto da abertura da lente, o tempo de obturação. Também o ISO influência a exposição, mas isso será assunto para outro post.

Tempo de obturação

Muitas vezes confunde-se o tempo de obturação com a exposição em si, mas este é apenas um dos seus componentes. É o período em que o obturador está aberto quando se tira uma fotografia, regulando o tempo que o sensor receberá luz. Pode também ser chamado de velocidade do obturador (shutter speed em inglês).

O tempo é medido em segundos (1 seg, 1/200 s…).

Abertura

Permite controlar a quantidade da luz que o sensor recebe. A abertura é medida em “números f”, dependendo este valor das capacidades da lente.

Também a abertura pode gerar alguma confusão inicialmente, uma vez que esta é esta é inversamente proporcional ao valor f que se define na máquina. Quanto maior o f, menor a abertura.

Ou seja, f1.8 é uma grande abertura, permitindo a entrada de bastante luz na lente, sendo ideal para situação com pouca luz, como quando se fotografa em espaços fechados. Já f22 deixa entrar muito pouca luz na lente, o que é ideal para situação de luz intensa.

Modos de Exposição

Numa máquina que permita controlo manual da exposição, existem três modos que possibilitam controlar a exposição:

Prioridade à abertura (A), em que o fotógrafo escolhe a abertura e máquina determina o tempo de obturação apropriado.

Prioridade ao tempo de exposição (S), em que se escolhe a velocidade do obturados, e a máquina determina a abertura correcta.

Manual, em que o fotógrafo tem controlo total sobre a exposição, sendo este a escolher a abertura e o tempo de exposição mais apropriados.

Os dois primeiros modos permitem ainda influenciar a escolha que a máquina faz do outro valor, através da compensação de exposição.

Imagine-se que se está a tirar uma foto no modo de prioridade à abertura (A) e se escolhe a abertura de f8. Neste modo a máquina vai escolher automaticamente a velocidade de obturação, de maneira a captar adequadamente a imagem recebida pelo sensor, digamos 1/10 segundos. Se a foto ficar mais escura do que o pretendido, é possível aumentar a compensação de exposição em +1EV, por exemplo.

O que isto faz é dizer à máquina que se pretende que a exposição, no conjunto dos seus parâmetros, aumente um stop (ou seja, seja um stop mais clara). Então, a máquina vai manter o f8 anteriormente escolhido, alterando no entanto a velocidade de obturação (para 1/5 por exemplo) de modo a atingir a exposição pretendida.

A única maneira de perceber realmente o conceito é praticar. Os modos automáticos na máquina fazem um trabalho bastante razoável na escolha da exposição, mas apenas os modos A, S ou M permitem um controlo criativo da imagem que pretendemos.

Alguns links interessantes:

Wikipédia
Digital Photography School

Março 5, 2010

A Cidade das Luzes

Março 4, 2010

A Fonte das Musas

No post “O Momento Decisivo” disse que uma boa fotografia não depende só de apanhar um determinado momento mágico em que tudo se conjuga, é preciso também saber reconhecer esse momento e conseguir capturá-lo com a máquina fotográfica.

Quis com isto, essencialmente, dizer que uma boa foto não deve nunca ser atribuída só à sorte. É no entanto inegável que certos momentos dificilmente se repetem e é, por vezes, uma sorte estar no lugar certo, na altura exacta.

Foi o caso deste momento:

Fonte das Musas, Setúbal

Depois de uma das minhas sessões fotográficas à beira do rio Sado, já estava a voltar para casa quando o pôr do Sol iluminou esta nuvem. A minha ideia, neste caso, foi que fotografar apenas a nuvem resultaria numa foto possivelmente engraçada, mas completamente desinteressante artisticamente. procurei então algo que pudesse colocar em primeiro plano, acrescentando interesse à composição. Escolhi então uma das estátuas da Fonte das Musas, na Avenida Luísa Todi.

A conjugação dos dois elementos resultou numa composição mais interessante e equilibrada, e consequentemente mais forte que a resultante numa fotografia em que qualquer deles aparecesse em separado.

Março 2, 2010

Shakespeare and Company

Uma das mais conhecidas livrarias do mundo, a Shakespeare and Company, fica bem no coração de Paris, muito próximo da catedral de Notre Dame. Fundada em 1951, esta livraria mantém todo o seu charme, continuando praticamente inalterada desde então.

Um dos meus filmes preferidos, Antes do Anoitecer, tem a Shakespeare and Company como cenário de umas das suas primeiras cenas, o que tornou ainda mais mágica a minha visita a este espaço.

Infelizmente não fiquei satisfeito com nenhuma das fotografias que tirei no exterior, também devido a parte da fachada se encontrar em obras, por isso esta primeira foto é retirada do referido filme. As restantes fotos são da minha autoria.

Como se pode ver, entrar nesta livraria é quase como viajar para outra época. Estantes revestem todas as paredes, e são vários os recantos quase escondidos da vista, com mobiliário antigo e tão inesperado como duas cadeiras de cinema, uma máquina de escrever com décadas de uso e até um lavatório com copo e escova de dentes.

No segundo andar a viagem no tempo completa-se. Aqui há livros de todas as épocas, alguns folheados vezes sem conta. Livros sem preço, apenas para consulta.

No cimo desta porta pode-se ler o lema do fundador da livraria, Be not Inhospitable to Strangers, Lest They be Angels in Desguise.

Existem sofás, mesas e cadeiras, em que romances são devorados e nascem novos poemas. Há até um pequeno piano à espera que alguém decida animar o ambiente.

Muito longe estão estas fotos de fazer justiça a esta livraria nada usual, e como complemento deixo aqui o seu site, para aqueles curiosos sobre a história deste espaço, que vale bem a pena visitar.

Março 1, 2010

O Momento Decisivo

O jornal do Reino Unido, Telegraph, publicou há algum tempo um pequeno mas interessante artigo, sobre a percepção cada vez mais generalizada do público em geral de que ser fotógrafo é pouco mais que estar no momento certo à hora certa, e que o equipamento faz o resto.

De facto quantas vezes já não ouvimos dizer de uma foto nossa “que sorte teres estado lá mesmo nesse preciso momento”, reduzindo ao acaso o que muitas vezes são horas, senão dias, de trabalho.

De facto pode existir alguma sorte no facto de estarmos num determinado local logo na altura em que algum acontecimento invulgar ocorre. Mas então e a capacidade de responder a esse momento a tempo, agarrando a máquina sendo capaz de o captar de forma adequada?

Então e o tempo que às vezes se passa à espera daquele momento decisivo, como lhe chama Henri Cartier-Bresson. Às vezes passam dias, em que voltamos constantemente ao mesmo local, e lá passamos horas, à espera de um momento específico que pode nem chegar.

Já para não falar na capacidade de reconhecer o interesse de um dado acontecimento, e ser capaz de antecipar. É muito fácil admirar um momento que foi imortalizado numa grande fotografia, mas será que mesmo estando lá, ele não poderia até passar despercebido à maioria das pessoas?

Fevereiro 28, 2010

Wallpaper de Março

Serra da Estrela

Este é o primeiro dos wallpapers que vou oferecer mensalmente neste blog. Esta foto foi tirada neste mês de Fevereiro, num dia nublado de passeio à Serra da Estrela.

É verdade que este tipo de fotografia, com as consecutivas silhuetas de montanhas envoltas em neblina, já se começa a tornar num lugar comum da fotografia de paisagens. De qualquer modo acho que faz um bom wallpaper.

O download está disponível nas seguintes resoluções:

1920×1280
1280×853
1024×682

Fevereiro 28, 2010

Novo blog

Já há algum tempo que andava insatisfeito com o formato de blog que vinha a utilizar. O formato antigo podia até ser uma boa maneira de mostrar as fotografias que vou tirando, mas não era de todo indicado para qualquer tipo de informação textual com que por vezes sentia necessidade de as acompanhar.

Este novo blog permitirá apresentar as minhas fotografais de forma diferente, falar do contexto em que algumas delas foram tiradas ou discutir opções que tomei. Mas sobretudo poderei também mostrar, e sobretudo discutir com os leitores, alguns dos conceitos e experiências que vou aprendendo nesta caminhada pelo mundo da fotografia.

Não posso obviamente deixar de agradecer a todos os leitores (penso que sejam cerca de três) que me têm seguido ao longo deste tempo, e desejar que continue a merecer as vossas visitas e comentários.

Depois de dois anos no formato antigo, e quase 500 fotografias depois, bem-vindos a este novo espaço!